terça-feira, 25 de setembro de 2007

Hoje eu vi um show, não foi de rock, nem de mpb, muito menos de rap. O espetáculo foi sociológico, antropológico, historiográfico, filosófico, humanista. Cara, como no meio da miséria em que vive milhões de brasileiros , sem ter o que comer, sem ter em que trabalhar, não tendo nada em que acreditar , surge assim, um Mano Browm. A gente precisa perder o medo dele pra se apaixonar por ele. Porque Browm é a prova viva que por mais desgraçada que esteja a vida dessas pessoas, lá acuadas no seu mundo, existe o conhecimento humano, capaz de fazer de um negro semialfabetizado, alguém que entenda o mundo melhor que muito intelectual.

A vivência ensinou a esse homem , de cara amarrada, sorriso escasso, mais que muito banco de escola. E ele mesmo assim, defendeu que as crianças tenham direito a escola, o mesmo espaço que ele não aguentou. Porque Mano Browm não aguentou? Porque viu mais que a gente? Porque sofreu mais preconceitos que outros? Porque era um malandro qualquer? Mano Browm é como milhares de jovens que todos os dias desistem de continuar estudando, porque na maioria das vezes a escola não lhes diz nada. E eles estão com a razão.

A escola está falida pois, a falta dela talvez tenha possibilitado a esse nano do Capão Redondo, um dos lugares mais esquecidos do planeta, ter atitude, vontade, garra, e senso crítico. A escola de regras e saberes pedagogicamente articulados não conhece Mano Browm , assim como não conhece os meninos e meninas que ali sentados, assistem passivamente o teatro da educação. Essa educação que ensina a comportar, mas não ensina a urrar diante das injustiças. Que faz de professores meros técnicos sem paixão pelo ensino, pelos alunos e pela vida. E nem vou falar aqui em números.

Mano Browm hoje mostrou para todos aqueles que são inteligentes o suficiente para ouvir , que são democráticos não apenas de carteirinha, e que respeitam a diferença, que tudo é tão óbvio, mas a gente não vai pensar nisso. A gente vai trocar de carro, viajar, fuder e achar que está em Nova York. A vida assim ganha sentido. A polícia segura os caras nas favelas e a gente dança na cafieira o samba de um preto de lá. Mais um jovem não chega aos 20 anos e a gente daqui, falando em cultura popular, "preto é lindo", "sou mano". Hipocrisia. Somos sim a favor que caras como estes não existam, para que eles não apontem em nós as nossas contradições.

Vi parte da entrevista, mas vi talvez o final mais interessante de uma história de conflitos, essa travada entre imprensa e Mano Browm. O jornalista , Markum, atiçou..."eu era do tempo do paz e amor, e vc? Mano Browm é paz e amor? " Resposta: "Não, pois a vida não é assim". Ser hippie , ser louco, inconscequente, viciado, pirado, quando amanhã pode deixar tudo de lado e garantir um bom emprego, um bom salário, uma vida confortável é mole. Vá na nascer onde nasceu Browm, vá crescer sem expectativa, sendo o lixo do lixo do lixo de uma das cidades mais ricas do mundo. Vá lá falar de paz e amor...Mano Browm nos ensinou muito hoje, só que os ouvidos continuam tapados.

Um comentário:

Doido da Garrafa disse...

Sou criminoso e assumo..
roubei e postei no meu tbm..
mas fiz a referencia de onde roubei
aehuaehuahaauhe

Gostei demais..